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A Rapariga do Vestido Amarelo

Exposição. Sobre exposição.

A Internet mudou-nos. As redes sociais mudaram-nos, ainda mais. Nós mudamos, seja pela influência dos outros ou não. Contudo, há factores tão dominantes nas mudanças das últimas gerações como é o uso excessivo e abusivo do mundo da Internet. Como em quase tudo, aquilo que é usado em demasia nunca poderá ser tão saudável assim. Hoje, expomos-nos demasiado. Postamos uma fotografia no Instagram do nosso almoço e estamos a dizer às pessoas que nos seguem (e não só!) onde estamos nesse preciso momento, quase como um convite. Postamos um estado no Facebook e provavelmente os nossos seguidores vão ficar a saber que já temos a carta de condução ou que mudámos de namorado. Postamos um vídeo no Snapchat e pode não ter o conteúdo mais interessante de sempre, mas vamos ficar a saber quem é que segundos depois dessa partilha está online. Já não há mistério em lado nenhum. Mostra-me o teu Facebook e dir-te-ei quem és. A partilha constante. A quase obrigação de partilha. A criação contínua, e sem filtros, de conteúdos que preferíamos nem sequer saber. Será que já não existem barreiras? Será que levamos o conceito de 'partilha' demasiado à letra?

 

E porque é que se temos essa possibilidade de não nos expormos o continuamos a fazer? Comportamo-nos de uma maneira "demasiado social", quando na realidade somos as pessoas mais isoladas deste mundo. Porque se eu dissesse que aquele pessoa super extrovertida no Facebook é afinal umas das pessoas mais tímidas que já conheci, talvez começássemos a perceber como os social media nos iludem. E como, se calhar, partilhamos demasiado sobre nós, mas nunca ninguém nos chega a conhecer num contexto mais real - fora do online. Acho que com a evolução da Web e o facto de passar a ser possível criarmos os nossos próprios conteúdos, os conceitos de banal e ilusão ganharam ainda mais peso neste mundo. Banalizou-se o conceito de partilha. E criou-se a ilusão de certos e determinados estilos de vida que não existem.

 

Para terminar, partilho uma história que ilustra bem este sentimento ilusório criado pelos social media. Essena O'Neill tem apenas 18 anos, mas desde os 16 que é "modelo" no Instagram, visto que as marcas chegam a pagar a algumas "modelos" com muitos milhares de seguidores para partilharem uma foto com o seu produto. Hoje Essena tem mais de 32K de seguidores, mas foi em Novembro de 2015 que decidiu apagar 2000 fotos da sua conta de Instagram e alterar o nome do perfil para "Social Media Is Not Real Life". Esta modelo decidiu revelar tudo, nomeadamente, as suas fraquezas - coisa que escondia na grande maioria das imagens partilhadas! Decidiu, então, mostrar a quem a seguia toda a verdade, "the real life". Acho importante, mesmo muito importante, pensar no "antes" e "depois" da utilização de Instagrams, Facebooks,... Existiram mudanças e existirão ainda mais mudanças no futuro. O verdadeiro significado de interacção está a mudar...

 

 

[o esclarecimento de Essena O'Neill publicado no seu canal oficial do YouTube]

 

 

O pensamento de Essena pode até ser um pensamento idílico, mas já todos nós chegámos às mesmas conclusões. Contudo, nunca quisemos fazer uma mudança tão radical como esta modelo, porém acho necessária uma reflexão sobre este tema.

É tudo uma questão de perspectiva?

Há desafios bons. E há desafios, como a própria palavra já o indica, que são verdadeiramente desafiantes. Como alguns devem saber já estou no meu segundo ano da licenciatura de Relações Públicas e Comunicação Empresarial. Estou contente com a escolha do curso e a cada dia que passa sinto-me ainda mais comunicadora. Mas passando para a questão central, na minha cadeira de Laboratório de Comunicação em Ambientes Digitais foi-nos proposto criarmos um blogue... A minha reacção? Adorei, claro. Felizmente não precisei de criar um novo blogue, apenas para esta cadeira e, por isso, vou poder usar o meu. Aquilo que vai acontecer é que passarão a existir posts semanais com um desafio lançado pelos professores. Confesso que no início não percebi como é que isto até poderia ajudar-me a mim e ao blogue, mas depois descobri que é mais uma maneira de me obrigar a actualizar este cantinho - obrigada por isso professores! Ora o primeiro desafio é um post "inspirado" nesta frase:

 

Os RP's são uma forma de ver o mundo.

 

Acho que prefiro começar esta espécie de reflexão com a minha experiência pessoal. Todos nós somos comunicadores, uns mais que outros. Outros forçados pela profissão. Outros com gosto pelo mundo. Contudo, é certo que todos comunicamos. Mas depois de ter entrado para este curso comecei a olhar para tudo de uma forma diferente. Comecei a olhar para as coisas banais do meu dia-a-dia como questões verdadeiramente comunicacionais. Deu por mim a ver comunicação em tudo (não há não comunicação!). Ainda no outro dia discutia questões do trabalho do meu pai, falávamos especificamente de comunicação interna, e quando dei por mim estava a dar uma "pseudo aula" de comunicação interna. É bom termos diferentes perspectivas sobre o mundo que nos rodeia. É também bom e relevante, não ver a comunicação como um todo, como um dado adquirido, pois nessa visão nem faria sentido existir a profissão de Relações Públicas. Porque acho que a área das Relações Públicas, mais do que uma perspectiva, é ainda um trabalho muito pouco valorizado, uma vez que todos se consideram aptos para exercer este tipo de profissão. Aliás, são muitos aqueles que dizem conseguir ver o mundo através da nossa perspectiva, da perspectiva de um Relações Públicas. Contudo, gosto e quero acreditar que nem todos conseguem interpretar a mesma realidade como os profissionais de RP o fazem. Porquê? Porque somos estratégicos. Porque só nós sabemos gerir relações e mediar conflitos. Porque só há um único departamento capaz de comunicar eficazmente. Isto é a minha opinião, sem critérios de veracidade ou falsidade. Se concordo que cada área de uma determinada ciência é uma perspectiva de ver o mundo? Concordo. No entanto, também concordo que a nossa perspectiva ainda é uma parte muito pequena desde mundo, infelizmente.

 

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