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A Rapariga do Vestido Amarelo

Penúltimo dia...

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Chegar de viagem e ter à minha espera mais um festival é bom, muito bom. Ainda melhor quando os convidados são os meninos bonitos do pop: D.A.M.A. e Maroon 5. As expectativas estão altíssimas por ser a primeira vez que vejo estas duas bandas ao vivo. E também por serem duas bandas de que devoro qualquer música. Quem é que também hoje ao Rock In Rio?

A brincar aos políticos.

Não costumo ler muito. É um facto. Também é um facto que todos os livros que li foram, na sua grande maioria, escritos por jornalistas. Uma escrita muita mais objectiva, muito mais directa ao assunto. Sem grandes voltas, nem rodeios. Sem quaisquer eufemismos. É aquilo que é e pronto. E o jornalismo de investigação é algo que me fascina... o facto de os jornalistas não se ficarem apenas pelo que é dito e partirem para a investigação por conta própria, com mais ou menos fontes, o mérito é deles. O livro "Os predadores" de Vítor Matos - jornalista de política da revista Sábado  - é um bocadinho assim, uma investigação sobre aquilo que os nossos políticos andam a fazer. Tentando dizer melhor, é muito resumidamente a verdadeira história da política em Portugal.

 

Aproveitei as viagens de avião para ler, entre algum sono, e não posso dizer que fiquei surpreendida com aquilo que estava escrito, uma vez que há muitas histórias que acabaram por ser partilhadas na imprensa. Contudo, em muitos momentos da minha leitura soltei um riso ou outro. As "trafulhices" que se fazem por votos ou por um lugar ao sol no mundo da política é qualquer coisa de cómico. Nem sequer podemos apelidar que este seja um governo sem leis, é muito mais um governo de brincar, onde os interesses jogam acima dos interesses daqueles que os políticos "tentam" representar. É mais uma vez um sistema onde a justiça não entra, visto que o "código penal nem sequer pune a fraude eleitoral" ao nível interno. Vi muito egoísmo em várias histórias descritas pelo Vítor Matos. E com este livro percebi porque é que a política não me fascina assim tanto. Não é só por não perceber muito sobre o tema, mas por aquilo que ela representa. São demasiados esquemas, jogos paralelos, e tudo para se manterem no poder. A qualquer custo. Mesmo. O autor do livro chega mesmo a classificar a sua obra como perigosa, mas o livro só é perigoso pelo seu conteúdo. 

 

Contudo, nem sei se será justo acusar os políticos de falta de transparência, uma vez que nem sabe do que se trata. Só quem está lá dentro sabe como tudo se movimenta e funciona. É um jogo perigoso onde se cruzam interesses e egos. Onde a vida pessoal não existe. E onde há sempre lugar assegurado para família, amigos, e amigos dos amigos. Aquilo que acontece a nível interno é uma falsa democracia. 

 

Os partidos são ecossistemas onde apenas sobrevivem os mais fortes, os mais aptos a lidar com armas legitimas como ilegítimas. 

 

É, sem dúvida, um livro que recomendo. Quem gosta de jornalismo de investigação devora o livro em três tempos. Quem é curioso na matéria da política em Portugal, igualmente. O autor escreve de uma maneira muito fácil e acessível. Explica tudo aquilo que tem de ser explicado. Não esconde factos. Ilustra através de gráficos. Acho que está um trabalho muito bem feito. A política no seu estado mais nu e cru, porque se falamos de um jornalismo de investigação então é assim que ele tem de ser. Vítor Matos revela que este é um livro pessimista, e da mesma forma vos digo que não costumo ser pessimista, mas sem dúvida que depois da leitura de "Os predadores" há muito pouco de bom a dizer sobre o trabalho destes senhores sem qualquer profissionalismo. Esta é uma desconstrução demasiado real e dura. Contudo, é a mais pura das verdades. E é também um despertar das consciências daqueles que andam adormecidos ou que acham que as coincidências existem.

 

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Vítor Matos

 

"Os grandes partidos põe em perigo a democracia porque, por um lado, este tipo de práticas afasta muita gente que quer fazer política; e, por outro lado, ajuda a afastar os cidadãos da política. Depois, uma grande parte dos deputados são escolhidos dentro destas lógicas. Ou seja, elas contaminam o sistema representativo. E também contaminam o Estado, no sentido que muitas nomeações são feitas como moeda de troca destes apoios e destas lógicas de funcionamento dos partidos." (Vítor Matos em entrevista ao Expresso)